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domingo, 1 de setembro de 2013

5 HISTÓRIAS A PARTIR DE 5 OBJETOS

Em diversos estilos de narrativas, objetos inanimados (ou não) tomam lugar importante no enredo da história. É comum, inclusive, vermos que os títulos dessas histórias trazem sempre um certo mistério... 


Tipo, o nome é "O Ralador de Queijo". Apesar de ser algo simples, o título ajuda a trazer diversas perguntas, uma vez que um ralador de queijo é algo banal, do nosso dia-a-dia. "O que será que esse ralador de queijo tem de especial?", "O que será feito com ele?", "Aonde ele se encaixa com os personagens?"...


Bom, claro que talvez "O Ralador de Queijo" não seja o melhor exemplo de todos, mas acho que já serve para você, leitor inteligente (sim, eu sei que você é), entenda o que quero dizer ;)


Mas vamos logo com essa bagaça e vamos começar a minha curta listinha das histórias (que eu consegui lembrar nesse exato momento) que têm objetos como parte importante do enredo...



terça-feira, 27 de agosto de 2013

PRIMEIRAS PALAVRAS #1


http://static.freepik.com/fotos-gratis/textura--paginas-caderno--cartas_3308149.jpg






http://clubinhodoslivros.tk/wp-content/uploads/2013/06/BERENICE_1341032321P.jpg"A miséria é múltipla. A desgraça do mundo é multiforme. Cingindo o vasto horizonte como o arco-íris, suas colorações são tão variadas quanto as colorações do fenômeno - e também são distintas, e contudo tão intimamente combinadas. Cingindo o vasto horizonte como o arco-íris! Como pode ser que da beleza derivei um tipo de desencanto? - da aliança da paz um símile da tristeza? Mas assim como, em ética, o mal é consequência do bem, igualmente, com efeito, da alegria nasce a tristeza. Ou a lembrança de uma felicidade passada é a angústia do hoje, ou as agonias existentes têm sua origem nos êxtases que poderiam ter existido."

"Berenice" (1835), Edgar Allan Poe





sexta-feira, 16 de agosto de 2013

5 Histórias com Alegorias


Vou dar uma de professor de português e perguntar:

"Você sabe o que é uma alegoria?"
[E não, dessa vez não estou falando de carnaval...]

De acordo com o Dicionário Aurélio, alegoria é a "expressão de uma ideia através de uma imagem, um quadro, um ser vivo etc"; mas, o mais importante nesse caso: "obra literária ou artística que utiliza esta forma de expressão".

Ou seja, uma alegoria seria aquilo que representa uma coisa para dar a ideia de outra. Isso pode acontecer, na Literatura, através de personagens, enredos, situações, etc...

Assim, de forma extremamente simplista uma alegoria seria uma "metáfora longa e continuada", podendo abranger a narrativa inteira.

Enfim, depois dessa introdução didática e edificante (ou não), vou apresentar-lhes a quatro histórias curtas (contos) que eu, particularmente, acho interessantes e que possuem alguma alegoria como parte importante do enredo!

Então, vamos lá... ;) 


quinta-feira, 13 de junho de 2013

CONTO POR CONTO#1: "Os Fatos no Caso do sr. Valdemar" (Edgar Allan Poe)

Confesso que é a terceira vez que leio essa curta e excelente história do mestre Edgar Allan Poe. Em nenhuma dessas três leituras achei a história monótona por já saber seu final e suas características principais.

Isso, com certeza, já diz bastante sobre a qualidade do conto.

É difícil não se interessar por uma premissa que traz uma experiência médica envolvendo hipnotismo e um paciente à beira da morte.

Poe foi meio que ignorado em sua terra natal, os Estados Unidos, mas muito apreciado em diversos locais da Europa. Mesmo assim, esse conto continua retratando os lugares que estavam mais próximos dele, como nesse caso Nova York, mais especificamente, o Harlem.
 
Narrado em primeira pessoa, o conto é o relato de um entusiasta em hipnose (ou mesmerização) sobre a experiência de morte pela qual o velho e tuberculoso sr. Valdemar passou (isso está exposto nas primeiras linhas, portanto, não é spoiler).     

Valdemar e o narrador (não sabemos o nome dele) combinam que, quando o primeiro estiver próximo de morrer pela sua doença, o segundo irá hipnotiza-lo a fim de descobrir quais são as consequências que o estado de torpor pode causar. 

Além disso, ele quer descobrir: "Será que a hipnose pode retardar a morte?"

Com a ajuda de médicos, o narrador descobre a hora aproximada da morte de Valdemar e, um pouco antes, começa os procedimentos.

Para a surpresa geral, Valdemar fica hipnotizado e não morre, apesar de sua saúde estar extremamente precária. Aos poucos, eles tentam se comunicar com o moribundo. Incrivelmente, ele responde às primeiras perguntas.


"Senhor Valdemar, o senhor ainda está dormindo?"

"Sim, dormindo ainda... morrendo." 
 



http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/e/e7/Amazing_Stories_v01n01_p092_The_Facts_in_the_Case_of_M_Valdemar.png
"The Facts in the Case of M. Valdemar" (1845)
Entretanto, algo estranho acontece: quase todos os sinais vitais desaparecem e ele fica estático e frio como um cadáver, impossibilitado de responder à nada.

Mas há indícios que ele ainda tem algum tipo de vida dentro de si. Por isso, os médicos esperam para que a morte possa leva-lo de vez, quebrando a hipnose. 

Como Valdemar parece não partir para o outro mundo, o narrador e os médicos ficam numa terrível dúvida enquanto o tempo passa: 

Será que eles devem acorda-lo? E se acorda-lo, como ele reagirá?



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FINAL (SPOILER): Depois de quase 7 meses, Valdemar ainda está no mesmo estado. Os médicos e o narrador decidem tirá-lo do transe. A coisa fica feia: Valdemar solta um grito final; ele estava em uma espécie de limbo: estava vivo, mas não podia acordar, aprisionado em seu próprio corpo e com a hipnose impedindo a função da Morte. Ele grita e simplesmente apodrece na frente de todos: sete meses de decomposição em poucos instantes.   
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Sei lá, o conto é ótimo. Só tenho isso a dizer.

E recomendar que você leia. (é bem curtinho também, não seja preguiçoso(a) xD)





NOTA: 10 / 10





LIVRO:
Contos de Horror do Século XIX (2005), organizado por Alberto Manguel. Companhia das Letras. Tradução: conto traduzido por Jorio Dauster.  

sexta-feira, 31 de maio de 2013

CONTO POR CONTO #1: "A Tortura pela Esperança" (Villiers De L'Isle Adam)

O que dizer de um escritor de horror que, como Charles Baudelaire e Stéphane Mallarmé, eram aficionados por Edgar Allan Poe ainda naquela época distante que era o século XIX?


Melhor ainda: o que dizer de um escritor de horror que botava o nome de suas antologias de "Contos Cruéis" e " Novos Contos Cruéis" e que dizia que foram escritas "seguindo as pegadas do gato preto de Poe"?


Bom, poderia dizer que esse escritor de nome aparentemente impronunciável, simplesmente atingiu seu objetivo. Ao menos é isso que é possível ver em "A Tortura pela Esperança".
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjgUNRXVUUWn0X4S6WuO9vVLKNCzwq-lxRWrdEQthXKk2qUEpAywArDZZt-6nNsH0QS65HQHlGTcQq9U70eQmiDJm5OjQYyuFSaa9o8MDkIIwIHVQPBGrAKym_21JUwMQBAoFJeyAryPMhg/s1600/TortureOfHopePage559b.JPG
"A Tortura pela Esperança" (1888)


Como o clássico "O Poço e o Pêndulo" de Poe, o conto se passa durante a Inquisição promovida pela Igreja Católica. Dessa vez, o prisioneiro é um rabino que recebe a notícia de que finalmente será "salvo" de forma amigável (em uma fogueira) no dia seguinte. Isso, claro, depois de já ter passado "mais de um ano, diariamente submetido a tortura."


Entretanto, como que por um milagre, ele encontra uma pequena brecha que pode significar sua fuga da fogueira e daquele antro de terror. Mas ele sabe que vai ter que ir com muita cautela para conseguir chegar à saída.




http://www.germinaliteratura.com.br/imagens/villiers-de-l-isle-adam.jpg
Villiers Adam (1838-1889)
O conto é bem curto e não gostaria de expor muitos spoilers sobre ele. Só posso dizer que é ótimo e lembra bem um "estilo Poe de escrever".


Veja bem, lembra um "estilo Poe de escrever". Apesar das óbvias influências, nesse conto Villiers mostra uma característica mais forte que o simples horror: a ironia que, de certa forma, acaba evoluindo para a crueldade (não é por um acaso que seus contos sempre são "Cruéis").




Opinião (provavelmente) contendo spoilers: esse conto tem um dos finais mais filhos da puta que eu já vi até hoje, no sentido de promover uma dose cavalar de frustração para o protagonista... 




NOTA: 10 / 10



LIVRO:
Contos de Horror do Século XIX (2005), organizado por Alberto Manguel. Companhia das Letras. Tradução: conto traduzido por Ecila de Azeredo Grünewald.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

POE: "The Conqueror Worm" (1843)

"Ligeia" (1845), por Harry Clarke
"The Conqueror Worm" é, pra mim, o segundo melhor poema em toda obra do sr. Edgar Allan Poe, perdendo apenas para o clássico e também fodástico "The Raven" ("O Corvo").


Consideravelmente menor que "The Raven", foi publicado pela primeira vez na Graham's Maganize e depois foi incorporado, por vontade do próprio Poe, no conto "Ligeia", em 1845, no Broadway Journal. 


Na história desse conto, o narrador recita o poema para a sua esposa, Ligeia, quando ela está definhando em seu leito de morte. Inclusive, Poe explica no conto que a própria Ligeia teria escrito o poema antes de adoecer e que foi desejo dela ouvi-lo novamente, antes de partir.


De qualquer forma, "The Conqueror Worm" (ou "O Verme Vencedor") trata basicamente sobre a inevitabilidade da morte, da finitude do homem. (O que me faz pensar: que tipo de pessoa, definhando em uma cama, quer ouvir um poema com essa temática, né? o_O )


Obviamente, vale mais a pena ler no original, principalmente por causa das rimas e da musicalidade(?). 


Mas, se você não quer se aventurar no inglês "arcaico" e mais lírico(?), aí está ele traduzido: