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sábado, 14 de junho de 2014

DEVANEIO: Quando Agonizei com Faulkner

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Não deu.

William Faulkner escreveu dois romances clássicos ("Som e Fúria" e "Luz em Agosto") e foi vencedor de um Prêmio Nobel e dois Pulitzer. 


Foi isso que eu tinha em mente quando decidi me aventurar em "Enquanto Agonizo", utilizando meus singelos R$ 13,90 para conhecer a escrita de Faulkner. Vale comentar que esse era o único título do autor na livraria e, naquele momento cheio de impulso bibliomaníaco e consumista, a compra foi inevitável. 


Mas, ao menos, eu me propus a lê-lo logo em seguida - muito provavelmente por um certo sentimento de culpa, característico de quando se compra um livro sem saber absolutamente nada sobre a história impressas nas páginas.


Bom, eu comecei, de fato, pouco tempo depois de comprá-lo e... 


Medeux...


Eu posso contar nos dedos de uma só mão a quantidade de livros que eu realmente abandonei, contrariando princípios obscuros e não muito racionais da minha índole literária.   


Só que essa foi uma leitura que simplesmente não me desceu.

quinta-feira, 22 de maio de 2014

DEVANEIO: "O Estrangeiro" e os entrangeiros


http://www.record.com.br/images/livros/livro_yYS7aE.jpgTítulo: "O Estrangeiro"
Título Original: "L'étranger"
Autor: Albert Camus (Argélia) 
Ano de Publicação: 1942
Ano de Publicação no Brasil (esta edição): 2013
Editora: Record
Tradução: Valerie Rumjanek
Número de Páginas: 126



[Só pra constar, não há spoilers nem nada que comprometa significativamente a leitura]   


 



Não adianta: existem certos livros que parecem gritar, clamar, quase exigir uma nova leitura. Isso parece acontecer em diversos momentos, quer dizer, desde o início, o meio e o fim da primeira experiência por aquelas páginas. 


Pode ser por limitações cognitivas ou pela simples ignorância e falta de experiência, talvez, com literatura mais profunda, mas quase sempre que termino um livro com conotação mais filosófica (ou cheio de simbolismos), eu tenho a impressão de que uma nova leitura será inevitável.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

DEVANEIO: Observações Cotidianas de Seres Bukowskistas

Veja bem...


Se você usa cachecóis até mesmo quando o clima não está frio, então é melhor que que você leia Bukowski.


Se você usa óculos cujas lentes são demasiadamente grandes e os aros são demasiadamente grossos, então é melhor que você leia Bukowski.

Se você gosta de usar camisas axadrezadas e de escrever em uma máquina de datilografar antiga (pleonasmo) enquanto fuma alguns cigarros, então é melhor que você leia Bukowski... e talvez um pouco de Kerouac.


Mas, agora, se você acha que a vida é tão mundana e a existência humana é tão marginal a ponto de todos os grandes acontecimentos se tornarem pequenos e os pequenos se tornarem grandes por comporem uma cotidianidade que, como já me referi antes, tem tudo para ser mundana e marginal, então é melhor que você leia Bukowski, realmente.


Ok, eu sei que todas essas colocações parecem preconceituosas (e, de fato, o são) e que devem estar repletas de estereótipos babacas (outro pleonasmo) (e, de fato, estão), mas mesmo assim eu gostaria que você me acompanhasse por mais alguns parágrafos.


Eu não li quase nada de Bukowski, pouquíssimo. Mas eu realmente gosto dele. Ou pelo menos do que eu li.


Oh you, Charles...
O problema é que os fãs (peguei a mania de chamá-los assim e não de "leitores") do cara começaram a me encher o saco. Quer dizer, no início apenas. Hoje, eu mais rio da coisa do que fico estressado.


Levando em consideração todos os estereótipos que eu tinha e que foram citados no início desse devaneio, eu decidi fazer um pequeno experimento:


Toda vez que eu estivesse em um lugar que vendesse livros e surgisse um indivíduo com aquelas características, eu me afastava por um tempo.


Dados alguns minutos analisando outros títulos em uma estante/mesa/bancada/caixa/etc. um pouco mais afastada, eu retornaria para ver, discretamente, se o o tal indivíduo teria pego um exemplar do Velho Safado.


E, amigo(a) leitor(a), não foram poucas as vezes que aconteceu isso. Em diversas livrarias, sebos, feirinhas de rua, em outras cidades, em outro estado inclusive.


Não eram exceções.


O negócio virou uma espécie de divertimento e um pequeno jogo: quanto tempo demorará para ele/ela pegar um "Factótum"?


Muitas vezes, acontecia em pouquíssimo tempo. [Isso quando não pegava uma braçada de livros dele]


Mas antes de me xingar, entenda:


- Eu não tenho nada contra alguém ser ou vestir-se desse jeito;
- Eu não tenho nada contra quem lê, faz coleção ou é um verdadeiro aficionado por Bukowski;
- E, por fim, não tenho nada contra quem gosta de Bukowski e corresponde àquele modo de ser e vestir;


Na verdade, há pessoas que eu gosto muito e que se adequam nessa última categoria aí de cima, e isso não me faz gostar menos delas.


E também é óbvio que existem pessoas que gostam de Bukowski e que não se adequam àqueles estereótipos.


Mas esse devaneio foi só para expor essas minhas observações; e tenho certeza de que elas mudaram sua vida, obviamente.


De qualquer forma, tente fazer esse exercício! E se você for um desses espécimes, objetos da minha incrível pesquisa [not], tente calcular quanto tempo você demora até estar folheando um livro do Charles!


E, por favor, não comprem todos.


Eu preciso de uns.


Pensa só: ainda tem os do Kerouac.



Jack curtiu isso



        

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

DEVANEIO: "Fahrenheit 451" e a Sociedade do Merthiolate Indolor

VisualizarTítulo: "Fahrenheit 451"
Título Original: "Fahrenheit 451"
Autor: Ray Bradbury (EUA) 
Ano de Publicação: 1953
Ano de Publicação no Brasil (esta edição): 2012
Quando foi lido: 10/09/2013 - 18/09/2013
Editora: Globo de Bolso
Tradução: Cid Knipel
Arte da Capa: Andrea Vilela de Almeida 
Número de Páginas: 256












[Só pra constar, não há spoilers nem nada que comprometa significativamente a leitura] 






terça-feira, 10 de setembro de 2013

DEVANEIO: "Síndrome de Hipster e best-sellers, ou sobre sentir-se babaca"

Eu, como a maior parte dos seres humanos - pelo menos dos que eu tenho prazer em conhecer -, tenho certa aversão a hipsters e o comportamento hipster em geral. 


O amor às coisas, livros, bandas, whatever underground em resposta ao ódio raramente justificado pelo mainstream, pelo bem vendido ou simplesmente pelo bem divulgado. 


Não quero com isso, obviamente, dizer que tudo que é underground é ruim e que tudo que é mainstream é bom. Longe disso. Mas também me parece de uma idiotice indescritível manter apenas esses parâmetros para identificar algo como bom ou ruim.    

quinta-feira, 13 de junho de 2013

DEVANEIO: "O sangue na parede e a superficialidade do horror/terror"

Não são muitas as pessoas que conheço e que realmente gostam de ler e discutir suas leituras e preferências literárias. Dessa forma, na maior parte das vezes que desenvolvo alguma conversação sobre literatura, estou conversando com alguém "nem tão interessado assim" por livros como eu ou qualquer outro rato de livraria.


Mas, de um modo geral, a conversa sempre se direciona ao ponto clássico: 


"Que tipo de livro/história você mais gosta?"


"Ah, um pouco de tudo, eu acho. Menos auto-ajuda, talvez. Mas os meus gêneros favoritos são mistério, horror, terror."


Acredito que, em 90% das vezes, a próxima expressão evocada pelo meu companheiro de conversa é um desconcertado "Huum".


quarta-feira, 29 de maio de 2013

DEVANEIO: "Ler por ler e achar bonito"

Lá estava eu, pacientemente esperando. Em uma espécie de "espaço de convivência" da faculdade que curso, esperava o tempo passar até o momento que poderia ir para a minha sala de aula.


Acomodei-me da maneira mais confortável possível em um dos únicos puffs ainda disponíveis, o qual ainda estava meio transfigurado pela ação impiedosa de nádegas alheias qua anteriormente posicionaram-se ali. 


De qualquer forma, acomodei-me e observei o movimento e as interações sociais entre todos ali presentes no ambiente um tanto quanto tumultuado no qual me encontrava.


Passado um tempo (que parecia não passar), abri minha mochila e tirei o pequeno "Cenas de Nova York e outras histórias", de Jack Kerouac, e comecei a calmamente ler as colocações do escritor beat sobre seus amigos poetas e os bares que frequentavam na Grande Maçã. Admito que, mesmo com os constantes murmúrios que impregnavam o local, consegui aproveitar a leitura e me interessar mais um pouco pela pessoa de Kerouac, mas constantemente eu tirava os olhos das páginas e os voltava ao meu redor, como toda pessoa com a insegurança (muitas vezes patética) de achar que sempre está sendo satirizado quando se encontra em local público. Só pra deixar claro, acabei me acostumando com essa minha mania, de forma que há algum tempo isso nem me incomoda mais...